
A disputa por espaço na federação entre PP e União Brasil no Maranhão expôs, mais uma vez, a lógica dura das eleições proporcionais: menos discurso e mais cálculo.
Nos bastidores, a deputada federal Amanda Gentil se movimentou para retirar da chapa um nome que poderia ameaçar diretamente sua reeleição: o também deputado federal Duarte Júnior.
Duarte havia acabado de se filiar ao União Brasil, após deixar o PSB, em articulação conduzida pelo deputado Pedro Lucas Fernandes, presidente estadual da sigla. A chegada dele, no entanto, durou pouco dentro da lógica da federação.
Com base na chamada matemática eleitoral, Amanda avaliou que a presença de Duarte, que teve mais votos que ela em 2022 e forte recall político em São Luís, poderia reduzir suas chances de reeleição dentro da mesma nominata.
Para viabilizar sua saída, a parlamentar aproveitou o desgaste recente entre Duarte e o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira. Durante a crise envolvendo o Banco Master, Duarte chegou a defender que Nogueira fosse ouvido na CPMI do INSS, o que gerou incômodo dentro do partido.
O argumento político foi levado à direção nacional da federação e acabou sendo determinante para a exclusão do parlamentar.
Publicamente, Amanda resumiu o episódio como uma decisão conjunta das legendas. Nos bastidores, no entanto, a leitura é de que a movimentação teve um objetivo claro: reduzir a concorrência interna e proteger sua posição na disputa.
Outro ponto que chamou atenção foi a postura de Pedro Lucas Fernandes, que apesar de ter articulado a ida de Duarte ao União Brasil, não reagiu à sua retirada da federação, facilitando o desfecho.
Agora, fora da União Progressista e com o prazo de filiação se encerrando, Duarte Júnior corre contra o tempo para encontrar uma nova legenda que lhe permita disputar as próximas eleições.
O episódio escancara o que raramente se admite em público. Na política proporcional, alianças são frágeis e a sobrevivência eleitoral costuma falar mais alto que qualquer discurso.



